Rede de bancos comunitários cria moeda digital para a economia da periferia

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Rede de bancos comunitários cria moeda digital para a economia da periferia

Um movimento de bancos comunitários está investindo na digitalização de serviços para fortalecer a atuação dessas organizações nas periferias e favelas e fomentar a economia local.

“Banco comunitário é uma associação de pessoas que se juntam para criar alternativas ao sistema financeiro tradicional”, diz Hamilton Mendes, 58, coordenador da Rede Paulista dos Bancos Comunitários.

Um dos projetos da rede é um curso de capacitação totalmente online para pessoas criarem um banco comunitário. A formação possui conteúdos organizados em módulos, onde cada aula tem duração média de três horas.

 

“A gente vai fazer esse primeiro esforço para levar essa formação. Ela pode ser uma solução para o problema sério de inclusão digital”, acredita Mendes.

 

“Nós temos que pensar nessa solução juntos, inclusive usando os bancos comunitários como uma forma de financiamento de antenas de distribuição de sinal, de compra coletiva para sinais de telefonia gratuitos para os estudantes. Essa é a natureza do banco comunitário, essa deve ser a tendência dos bancos comunitários da periferia”, acrescenta

 Mulheres chefes de família

“Atualmente o pedido de crédito tem sido a nossa maior procura devido ao aumento de desemprego. As pessoas de alguma forma necessitam fazer algo para manter a família. E o maior público são as mulheres chefes de família”, diz Maria do Carmo Rodrigues, 67, coordenadora do Banco Tonato, localizado no Jardim Tonato, na periferia do município de Carapicuíba, em São Paulo.

Durante a pandemia, a moradora sentiu o aumento pela procura de crédito na região e a redução das reservas financeiras do banco. “Como a gente está sem fazer evento, ficou mais difícil ter fundo. E são as mulheres quem procuram mais”, diz. Antes da pandemia, a maior parte da renda que compõe o fundo da organização vinha de eventos feitos no território. Esse recurso é utilizado principalmente para realização de empréstimos.

Rodrigues explica como é o processo de avaliação e aprovação de empréstimo no banco comunitário. “A pessoa nos procura, aí o agente de crédito vai na casa dela para fazer uma avaliação. A gente passa a ficha com a avaliação para um grupo, que inclui o agente de crédito, que decide se a gente deve passar o crédito para pessoa ou não”.

Mesmo com um processo fácil para aprovação de crédito, a alta demanda impediu o banco de atender todos os moradores do território que o procuraram. A situação gerou a necessidade de criar um sorteio para destinar o empréstimo aos moradores.

Os valores dos empréstimos giram entre R$ 100 a R$ 300. “A maior finalidade é para comprar materiais para iniciar seu próprio negócio com venda de bolo ou salgados. Em alguns casos são pedidos para comprar o gás ou alimento”, diz a coordenadora.

Para Rodrigues, a modernização proposta pela Rede de Bancos Comunitários dá a possibilidade de aumentar a receita dos bancos e fortalece o seu fundo de empréstimos. “Além de ajudar na divulgação, também vai aumentar o fundo e dá para a gente atender um maior número de famílias”, diz.

Fonte : Terra

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