MAIS DE 1,144 MILHÃO DE PESSOAS PERDERAM EMPREGO COM CARTEIRA ASSINADA

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MAIS DE 1,144 MILHÃO DE PESSOAS PERDERAM EMPREGO COM CARTEIRA ASSINADA

Reforma trabalhista completa um ano, mas geração de empregos é baixa. A reforma trabalhista passou pelo Congresso Nacional com a garantia que a modernização das leis que regem o mercado de trabalho era necessária para que o país voltasse a gerar empregos e reduzir a informalidade. Foi aprovada em julho do ano passado e passou a valer em novembro. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o Caged, do Ministério do Trabalho, com as novas regras foram criados 372,7 mil postos de empregos formais em todo país. Na foto: Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS). Foto: Ana Volpe/Agência Senado

Mais de 1,144 milhão de pessoas perderam emprego com carteira assinada no país somente esse ano, até maio. Esse é pior resultado desde o início da série histórica, em 2010. O desemprego, que tem como principal causa a pandemia pela Covid-19, foi puxado pelos setores de comércio, indústria e serviços. Apenas no quinto mês de maio, foram cortados 331.901 postos de trabalho, resultado de 703.921 admissões e de 1.035.822 desligamentos. Também o pior da série. Os dados são do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), do Ministério da Economia.

Para o secretário Especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, mesmo com o número negativo, há um ponto positivo na estatística. “O número de admissões (703,9 mil) é superior ao de abril (618,7 mil). É consequência da política econômica bem conduzida pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro da Economia, Paulo Guedes”, destacou Bianco. O secretário de Trabalho, Bruno Dalcolmo, ressaltou que reiterou que o aumento nas contratações significa que “os empresários estão mais confiantes na economia”. Em 2019, maio registrou saldo positivo de 32.140 empregos, resultado de 1.347.304 contratações e 1.315.164 demissões.

O benefício emergencial, de acordo com o Ministério da Economia, foi responsável por 11,698 milhões de acordos, que beneficiaram 1,348 milhão de empregadores. Metade deles foram acordos de suspensão do contrato de trabalho e metade de redução de jornada e de salário de trabalhadores. O montante total previsto para esse fim é de R$ 17,4 bilhões. Em relação ao auxílio emergencial para informais e desempregados, de acordo com Bianco, o presidente Jair Bolsonaro ainda não sancionou por questões operacionais. “O Senado enviou um novo texto, que se chama autógrafo. Quando isso acontece, todos os órgãos têm que se manifestar. Mas nos próximos dias, o presidente vai fazer essa sanção”, garantiu.

O Novo Caged destaca, ainda, que, em 2019, no acumulado de cinco meses, houve 6.922.959 de admissões e 6.571.896 de desligamentos, o que resultou em 351.063 novas vagas de emprego com carteira assinada. O saldo negativo de maio foi influenciado, de acordo com a Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, especialmente pela queda nas admissões (-48% em relação a maio de 2019). “No entanto, em relação ao mês de abril, verificou-se um aumento de 14% na quantidade de admissões”, ressalta.

Esse fenômeno de crescimento das admissões em maio se deu em todos os setores de atividade, mas especialmente no setor da construção (+41,5%); agricultura ( 28%) e comércio ( 20,7). Em relação aos desligamentos, foi registrada queda de 31,9% em relação ao mês de abril. Essa redução se deu especialmente no setor do comércio (-36%); indústria (-33,7%) e serviços (-33,1%). O novo Caged, informou o ministério, inclui dados de outras fontes (Ipea, IBGE, FGV, Insper e PUC) para complementar informações de admissões e desligamentos.

Regiões
As cinco regiões do país tiveram saldo negativo em maio. Proporcionalmente, o pior resultado foi registrado no Sul, com redução de -1,10%, percentual equivalente a menos 78.667 postos de trabalho. No Sudeste, o resultado apontou menos 180.466 vagas com carteira assinada (-0,92%). Depois, na sequência, vem Nordeste (-50.272 postos, -0,82%); Norte (-10.151 postos, -0,58%) e Centro-Oeste (-12.580 postos, -0,39%).

Das 27 unidades da federação, apenas o Acre teve mais contratações do que demissões em maio. Foram 1.127 novas vagas com carteira assinada no mês. Entre os estados com piores resultados estão São Paulo (-103.985 postos, -0,88%); Rio de Janeiro (-35.959 postos, -1,15%); Minas Gerais (-33.695 postos, -0,84%); e Rio Grande do Sul (-32.106 postos, -1,31%). O Distrito Federal teve 11.709 admissões e  16.824 desligamento, com -5.115 postos de trabalho (-0,65%), em maio.

Setores de atividade econômica
O grupamento de agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura apresentou resultado positivo no mês, com 15.993 novos postos de trabalho. No acumulado do ano, o setor chegou ao saldo positivo de 25.430 vagas de trabalho. As outras atividades econômicas tiveram despencaram: serviços (-143.479); indústria geral (-96.912 postos); comércio (-88.739 postos); e construção (-18.758 postos).

Modernização trabalhista
A modalidade trabalho intermitente teve saldo positivo de 2.405 empregos, resultado de 9.617 admissões e 7.212 desligamentos envolvendo 1.937 estabelecimentos contratantes. Vinte e cinco empregados tiveram mais de um contrato dentro deste regime de contratação. O setor de serviços teve o melhor resultado, com 1.188 novos postos de trabalho. A área é seguida pela indústria geral ( 606 postos), construção ( 474 postos), comércio ( 110 postos) e agropecuária ( 27 postos).

Com 5.772 admissões e 11.453 desligamentos, o trabalho em regime de tempo parcial teve resultado negativo: -5.681 empregos envolvendo 2.315 estabelecimentos contratantes. Um total de 28 empregados celebrou mais de um contrato em regime de tempo parcial.

Estoque

A quantidade total de vínculos com carteira assinada ativos ficou em 37.664.748, uma variação de -0.87% em relação ao estoque do mês anterior. Em maio de 2019, o número era de 38.761.491.

Salário
Para o conjunto do território nacional, o salário médio de admissão em maio foi de R$1.731,33. Comparado ao mês anterior, houve redução de R$ 78,75 no salário médio de admissão, uma variação real de -4,35%.

(Correio Braziliense)

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