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Cadastro positivo deve aumentar pressão para reduzir spread no país

Spread é a diferença entre o que os bancos pagam para captar dinheiro e o quanto cobram para emprestá-lo. Brasil tem o segundo maior do mundo


 Alta inadimplência, ausência de informação sobre os clientes, insegurança jurídica. Não faltaram argumentos para justificar as altas taxas de juros cobradas pelos grandes bancos brasileiros nos últimos anos. Desde esta terça-feira (9/7), no entanto, quando entraram em vigor as novas regras do chamado Cadastro Positivo, a falta de dados históricos sobre os tomadores de crédito não pode ser uma alegação para o Brasil se manter na vexatória vice-liderança mundial no ranking do spread (a diferença entre o que as instituições pagam para captar dinheiro e o que cobram quando o emprestam).

Nesse quesito, o país, com taxa de 39,6%, está atrás apenas da ilha africana de Madagascar, com 45%, segundo dados do Banco Mundial. A média mundial é de 5,4%. “As margens dos bancos brasileiros são absurdas e inaceitáveis para uma economia do nosso porte”, diz o economista Paulo Franco, professor de finanças da Fesp-SP.

Continua depois da publicidadeHá, no entanto, quem enxergue as razões para as taxas acima do normal. “Historicamente, o alto índice de calote afeta diretamente os custos administrativos dos bancos brasileiros para emprestar”, alega o economista Vitor Vidal, da LCA Consultores, autor de um estudo sobre recuperação de crédito em parceria com a Fundação Getulio Vargas. “A expectativa é de que isso (a queda do spread) ocorra em breve, pois o Cadastro Positivo já é uma realidade e vai melhorar a economia substancialmente”, acrescenta José Luiz Rodrigues, consultor na JL Rodrigues, Carlos Átila & Consultores.

De fato, a taxa básica de juros da economia está, já há algum tempo, no seu patamar mais baixo da história. Mesmo assim, os bancos brasileiros resistem em diminuir o spread. “Um dos problemas é que o Brasil é um dos piores do mundo para a recuperação de crédito”, afirma Fabian Valverde, sócio e cofundador da Paketá Crédito.

Vale lembrar que o Cadastro Positivo, além de apontar pendências, também observa o cumprimento de outras obrigações financeiras, como pagamento de contas recorrentes, entre outras dívidas quitadas. O serviço é gratuito e vale para todos com CPF ativo ou empresas inscritas no CNPJ. Aqueles que não quiserem participar têm o direito de solicitar que seus dados sejam excluídos do sistema a qualquer momento.

Concorrência

Soma-se a todos esses fatores a perspectiva de aumento da concorrência entre grandes bancos e fintechs com o Cadastro Positivo em vigor. Isso porque muitas pequenas instituições de crédito se sentirão mais seguras em emprestar para aqueles que forem considerados de baixo risco de inadimplência. “A nova lei estimulará a competição entre instituições financeiras e varejo, que poderão usar os dados exclusivamente para auxiliar a análise de crédito de forma mais justa e individualizada”, garante Valverde.

Até mesmo a Febraban, a federação dos bancos, que evitou polêmicas sobre o spread durante todo o processo de votação do Cadastro Positivo, divulgou em seu site um posicionamento favorável ao novo sistema. “A criação desse novo cadastro contendo informações sobre o histórico de crédito e o comportamento de pagamentos dos clientes, pessoas físicas e jurídicas que aderirem, permitirá que, ao longo do tempo, instituições financeiras, empresas prestadoras de serviços continuados, lojas de varejo e outras empresas possam ter melhores condições de avaliação e de concessão de crédito, com benefícios para todos”, diz a nota da federação.

Números 

R$ 1,3 trilhão: deverão ser injetados na economia brasileira;
45%: é o percentual para o qual a taxa de inadimplência cairá;137 milhões: de brasileiros poderão ser beneficiados;
22,6 milhões: de brasileiros serão incluídos no mercado de crédito.

Fonte – Correio Braziliense

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