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O BNDES promete dobrar até 2020 os recursos destinados à inovação  

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O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, reconheceu ontem, durante a abertura do Congresso Brasileiro de Indústria 4.0, que o Brasil está na “rabeira” do processo de inovação industrial em relação aos outros países desenvolvidos. Falando a uma plateia de empresários na sede da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Rabello se comprometeu a aumentar os recursos destinados a projetos de alta tecnologia já neste ano, para R$ 22 bilhões (cerca de 4% dos desembolsos), e mais que dobrar o montante até 2020. “O valor de R$ 22 bilhões é pouco diante da necessidade de entrarmos no jogo”, disse o executivo, reiterando que o compromisso do banco é chegar a um volume de R$ 50 bilhões nos próximos três anos.

A área de tecnologia e inovação é muito afetada, segundo o presidente do BNDES, pela descontinuidade do apoio aos projetos, que nascem com algum fôlego financeiro, mas depois são esquecidos. Ele também lamenta o fato de programas bem-sucedidos não serem replicados em outras regiões do país. Citou, como exemplo, o Porto Digital de Recife, em Pernambuco, iniciativa que deu certo, mas que não foi reaproveitada em outros estados. “Esse polo criou, sozinho, 8 mil empregos. Por que ele não foi levado para outros lugares?”, questionou Rabello.

O economista lembrou ainda a primeira fábrica de chips em Ribeirão das Neves, Minas Gerais, que demandou investimentos de mais de R$ 1 bilhão. Já está pronta e até hoje não opera devido à burocracia. “Somos o país da complicação. Levamos cinco anos para tirar essa fábrica do zero, mas ainda faltam garantias para fazer os aportes do BNDES depois da saída do Eike (o empresário Eike Batista, que acabou falindo e abandonando o negócio)”, criticou. Ele ainda defendeu a “descomplicação do país”, que vive um “manicômio e um inferno tributários”.

Menos contundente, José Ricardo Roriz Coelho, vice-presidente da Federação das Industrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec), considera “imprescindível” que as empresas estejam preparadas para a quarta revolução industrial, porque no futuro próximo o setor será completamente diferente. “Diversos países já estão à frente desse movimento. Por isso, o Brasil precisa acelerar o ritmo para encurtar a distância em relação aos seus competidores.

Segundo números do Decomtec, enquanto em 2015 os brasileiros enfrentavam a pior crise da história do país, outras nações caminhavam rumo a novas tecnologias. A China adquiriu nesse mesmo ano 68,6 mil robôs. Na Coreia do Sul, foram 38,3 mil, e no Japão, pouco mais de 35 mil. O Brasil ficou em último lugar no ranking das nações, com apenas 1,4 mil aquisições, atrás de Índia e Tailândia. “Precisamos acelerar nossa inserção na indústria 4.0. Corremos o sério risco de nos tornar especialistas em atividade de baixo valor agregado”, avalia Roriz. Para ele, é responsabilidade dos órgãos de fomento garantir recursos à inovação da indústria brasileira para que ela possa melhorar a qualidade de seus produtos.

Presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (Abdi), Guto Ferreira defendeu que as empresas deixem de comprar tecnologia fora do país, valorizando as startups brasileiras. “Temos condições de fazer produtos com a mesma qualidade e inovação.” Segundo ele, ainda há certa resistência em muitos mercados, como se apenas softwares e equipamentos importados fossem capazes de modernizar uma companhia nacional. Paulo Skaf, presidente da Fiesp, também não poupou críticas ao tratamento que o governo dá às políticas de inovação tecnológica. “A agenda do Brasil não está em sintonia com o mundo”, afirmou. “O governo tem que criar uma agenda de empreendedorismo e inovação e esquecer o pessimismo.”

O conceito de indústria 4.0
Indústria 4.0 é um termo cunhado em 2011, durante uma feira empresarial em Hannover, na Alemanha. Também chamada de Quarta Revolução Industrial, engloba tecnologias para automação e troca de dados e utiliza conceitos como Internet das Coisas (IoT) e Computação em Nuvem. Também enquadram-se nessa nomenclatura impressão 3D, monitoramento e controle remoto da produção, realidade aumentada, robótica, sensores inteligentes e simulações virtuais. Na indústria 4.0, máquinas e equipamentos poderão trocar informações por meio da integração em redes de internet. Com a integração, os processos tendem a se tornar mais eficientes.

Fonte – Correio Braziliense

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